sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CARTOON versus Quadras

Reunião Mistério
HenriCartoon

Fedelho
Observa com atenção José Inseguro…
A minha ainda é maior do que a tua!
Inseguro
Mas a minha cresce e a tua mingua…
Está a mirrar Fedelho, estou seguro!
Fedelho
Mas a tua continua tão murchinha…
Não há remédio que a faça crescer?
Inseguro
E a tua cada vez mais mirradinha,
A continuar assim, deixas de a ver!
Fedelho
Ainda assim, a minha é maior que a tua!!
Inseguro
Não perdes p’la demora, nada se perpetua!!!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

STING - «They Dance Alone»

Poet'anarquista


ELES DANÇAM SOZINHOS

Por que há mulheres aqui dançando no seu próprio país?
Por que existe essa tristeza em seus olhos?
Por que os soldados aqui
Têm seus rostos fixados como pedra?
Eu não posso ver o que é que eles desprezam
Eles dançam com a saudade
Eles dançam com os mortos
Eles dançam com os invisíveis
A sua angústia é dentro
Eles estão dançando com seus pais
Eles estão dançando com seus filhos
Eles estão dançando com seus maridos
Eles dançam sozinhos

É a única forma de protesto que eles estão autorizados
Eu vi os rostos silenciosos gritar tão alto
Se fosse para falar estas palavras eles desapareciam também
Outra mulher numa mesa de tortura o que mais eles podem fazer
Eles estão dançando com a saudade
Eles estão dançando com os mortos
Eles dançam com os invisíveis
Sua angústia é dentro
Eles estão dançando com seus pais
Eles estão dançando com seus filhos
Eles estão dançando com seus maridos
Eles dançam sozinhos

Um dia nós vamos dançar sobre as suas sepulturas
Um dia nós vamos cantar a nossa liberdade
Um dia vamos rir da nossa alegria
E nós vamos dançar
Um dia nós vamos dançar sobre as suas sepulturas
Um dia nós vamos cantar a nossa liberdade
Um dia vamos rir da nossa alegria
E nós vamos dançar

Elas dançam com os desaparecidos
Elas dançam com os mortos
Elas dançam com amores invisíveis
Elas dançam com silenciosa angústia
Dançam com seus pais
Dançam com seus filhos
Com seus esposos dançam
Elas dançam sozinhas
Dançam sozinhas

É Mr. Pinochet
Você semeou uma safra amarga
É dinheiro estrangeiro que o apoia
Um dia o dinheiro vai parar
Sem salários para os seus torturadores
Sem orçamento para as suas armas
Você pode pensar na sua própria mãe
Dançando com o filho invisível
Eles estão dançando com a saudade
Eles estão dançando com os mortos
Eles dançam com os invisíveis
Eles são a angústia dentro
Eles estão dançando com seus pais
Eles estão dançando com seus filhos
Eles estão dançando com seus maridos
Eles dançam sozinhos
Eles dançam sozinhos

Sting

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

CARTOON versus QUADRA

Coração de Leão com Arritmia
HenriCartoon

«CORAÇÃO DE LEÃO COM ARRITMIA»

Nós não estamos fortes, estamos muito fortes!?...
Leões na pele e osso completamente desfeitos,
Pronúncio de que poderá haver algumas mortes...
(No Alandroal surgiram os primeiros esqueletos!)

POETA

MEMÓRIAS

Há 513 anos atrás, mais precisamente a 29 de Agosto de 1499, o rei D. Manuel I recebe com honras em Lisboa o navegador português Vasco da Gama, festejando o regresso da sua primeira viagem marítima à Índia. O título «Dom» e muitas outras recompensas pelos serviços prestados à coroa portuguesa, são-lhe atribuídos pelo rei D. Manuel I. Uma das mais notáveis viagens da era dos Descobrimentos consolidava a presença marítima e o domínio das rotas comerciais pelos portugueses.  
Poet'anarquista
Vasco da Gama
Navegador Português

O REGRESSO DA ÍNDIA…

A 12 de Julho de 1499, depois de mais de dois anos do início da expedição à Índia por Vasco da Gama, entra a caravela Bérrio no rio Tejo, comandada por Nicolau Coelho, com a notícia que iria emocionar Lisboa: os portugueses chegaram à Índia pelo mar e Vasco da Gama tinha ficado para trás, na ilha Terceira, preferindo acompanhar o seu irmão gravemente doente, renunciando assim aos festejos e felicitações pela notícia.

Das naus envolvidas, apenas a São Rafael não regressou, pois teria sido queimada por incapacidade de a manobrar, consequência do reduzido número de tripulantes no regresso, fruto das doenças responsáveis pela morte de cerca de metade da tripulação, como o escorbuto, que se fez sentir mais afincadamente durante a travessia do Oceano Índico. Apenas 55 dos 148 homens que integravam a armada sobreviveram a este grande feito.

D. Manuel I recebe Vasco da Gama
Entrega ao Rei das Primícias da Índia

Vasco da Gama regressava ao país em 29 de Agosto e seria recebido pelo próprio rei D. Manuel I com contentamento que lhe atribuía o título de Dom e grandes recompensas. Fez Nicolau Coelho fidalgo da sua casa, assim como a todos os outros, conforme os serviços que haviam prestado.

D. Manuel I apressa-se a dar a notícia aos reis de Espanha, numa exibição orgulhosa do feito e para avisar, simultaneamente, que as rotas seriam doravante exploradas pela Coroa Portuguesa.

Há notícia de um mercador italiano que espalhou por Florença a boa-nova: «Descobriram 1800 léguas de novas terras além do Cabo da Boa Esperança, cujo cabo foi descoberto no tempo do rei D. João. O capitão descobriu uma grande cidade muralhada , com muito boas casas de pedra, no estilo mourisco, habitada por mouros da cor dos indianos. O capitão desembarcou aqui e o rei deu-lhe um piloto para cruzar o golfo». O mercador referia-se a Melinde.
Fonte: Wikipédia

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(29 de Agosto de 1958, nasce o músico e compositor norte-americano Michael Jackson)

MICHAEL JACKSON - «Thriller»

Poet'anarquista


TERROR

É quase meia-noite
E algo maligno está espreitando no escuro
Sob a luz da lua
Você vê uma visão que quase pára o seu coração
Você tenta gritar
Mas o terror toma o som antes de você fazê-lo
Você começa a congelar
Enquanto o horror te olha bem entre os olhos
Você está paralisado

Porque isso é terror
Noite de terror
E ninguém vai te salvar
Da besta pronta para atacar
Você sabe que é terror
Noite de terror
Você está lutando por sua vida
Dentro de um assassino
Esta noite de suspense, yeah

Você escuta a porta bater
E percebe que não há mais nenhuma a funcionar
Você sente a mão fria
E pensa se ainda vai ver o sol
Você fecha os olhos
E espera que isto seja apenas imaginação
Rapariga, mas o tempo todo
Você ouve uma criatura rastejando por trás
Você está sem tempo

Causa isso é o terror
Noite de terror
Não há segunda chance
Contra a coisa com quarenta olhos, garota
Terror, noite de terror
Você está lutando por sua vida
Dentro de um assassino
Suspense por hoje

Chamada a noite das criaturas
E os mortos começam a andar em sua máscara
Não há como escapar das garras do tempo estrangeiro
Eles estão abertos, esse é o fim da sua vida

Eles estão atrás de você
Há demónios fechando de todos os lados
Eles vão te possuir
A menos que você mude o número da sua ligação
Agora é o tempo
Para você e eu cuidar juntos, sim,
Toda a noite
Eu vou te salvar do terror na tela
Vou fazer você ver

Que isso é terror, noite de terror
Porque eu posso te aterrorizar mais
Do que qualquer fantasma ousaria tentar
Terror, noite de terror
Então deixe-me te abraçar
E compartilhar um assassino arrepiante
Terror aqui esta noite

Porque isso é terror
Noite de suspense
Menina, eu posso te aterrorizar mais
Do que qualquer fantasma ousaria tentar
Terror, noite de terror
Então deixe-me te abraçar forte
E compartilhar um assassino de terror

Eu vou te aterrorizar hoje à noite

A escuridão cai sobre a terra
A hora da meia-noite é fechar a mão
Criaturas rastejam em busca de sangue
Para aterrorizar vocês no bairro
E quem deve ser encontrada
Sem a alma para descer
Deve ficar e enfrentar os cães do inferno
E apodrecer dentro de uma casca de cadáver

Eu vou te aterrorizar hoje à noite
Terror, terror
Eu vou te aterrorizar hoje à noite
Noite de terror, suspense
Eu vou te aterrorizar hoje à noite
Ooh, baby, eu vou te aterrorizar hoje à noite
Noite de terror, querida

 O mau cheiro está no ar
O odor de quarenta mil anos
E sarcófagos velhos de cada túmulo
Estão se fechando para selar seu destino
E apesar de você lutar para permanecer vivo
Seu corpo começa a tremer
Porque nenhum mero mortal pode resistir 
Ao mal do terror

Michel Jackson

terça-feira, 28 de agosto de 2012

CARTOON versus QUADRAS

Quando o Governo não tem Juízo...
O Povo é que Paga!
HenriCartoon

«QUANDO O GOVERNO NÃO TEM JUÍZO, O POVO É QUE PAGA

Somos contra a concessão da RTP ao privado,
Podem contar connosco em qualquer ocasião
Para arruinar o serviço público de televisão...
O dinheiro dos contribuintes está assegurado!

Mas não descartamos de todo a permissão
Se alguém quiser outorgar o canal do estado
E nos der garantia de péssima programação…
O Zé Povinho mais uma vez será taxado!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Intérprete não identificada)

«MÚSICA DOS DEUSES»

Poet'anarquista

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

AGRADECIMENTO AOS AMIGOS

Os familiares de Francisca Camões Galhardas agradecem a solidariedade de todos os amigos que acompanharam o seu ente querido até à última morada. Bem hajam pelo apoio demonstrado!
Poet'anarquista
 Francisca Camões Galhardas
Óbito no dia 5 de Agosto de 2012

«SE ME AMAS»

Se me amas,
Não chores.
Se conhecesses o mistério imenso
Do céu onde agora vivo,
Este horizonte sem fim,
Esta luz que tudo reverte e penetra,
Não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encontro de Deus,
Na sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,
Uma enorme ternura
Que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo, pensa nesta casa
Onde um dia estaremos reunidos 
Para além da morte, matando a sede
Na fonte inesgotável da alegria
E do amor infinito.
Não chores,
Se verdadeiramente me amas!

Santo Agostinho

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

AMY WHINEHOUSE - «Wake Up Alone»

Poet'anarquista


ACORDAR SOZINHA

Está tudo certo de dia me mantenho ocupada
Compromisso suficiente pra não ter que me perguntar onde ele está
Fiquei tão cansada de chorar
Então ultimamente
Quando me pego assim eu viro o jogo
Me levanto, limpo a casa
Pelo menos não estou bebendo
Ando por aí então não preciso pensar em pensar
Esse silencioso senso de contentamento
Que todo mundo tem
Simplesmente desaparece quando o sol se põe

Ele está ardente em meus sonhos
Se prende no meu interior
E me enche de medo
Ensopado até a alma
Ele nada em meus olhos ao lado da cama
Me derramo sob ele
A lua está indo embora
E eu acordo sozinha

Se eu fosse meu coração
Preferiria ser inquieto
No momento em que paro o sono me pega e fico sem fôlego
Essa dor no meu peito
Assim como meu dia acabou agora
A escuridão me cobre e eu não consigo correr
Meu sangue congela
Fico parada na frente dele
É tudo que posso fazer para assegurá-lo
Quando ele vem pra mim
Me derreto por ele
Se afogando em mim nós dançamos sob a luz azul

Ele está ardente em meus sonhos
Se prende em meu interior
E me enche de medo
Ensopado até a alma
Ele nada em meus olhos através da cama
Me derramo sob ele
A lua está indo embora
E eu acordo sozinha

 Amy Whinehouse

domingo, 26 de agosto de 2012

CARTOON versus QUADRAS

«As 3 Etapas»
HenriCartoon

«AS 3 ETAPAS»

1ª Etapa - Deus quer...
«Ecce Homo», famoso fresco na Igreja de Borja
(Pintura do século XIX por Elías García Martínez)
Sofreu restauro da octogenária Cecilia Giménez…
O fresco, «Ecce Homo», passou então p’la forja!

2ª Etapa - O homem sonha...
O padre e o sacerdote sabiam, é claro!...
Como poderia eu fazer a merda que fiz
Se não me tivessem pedido o restauro?...
Não trabalho às escuras como já se diz!!

3ª Etapa - A obra nasce.
E fique sabendo, nada faço às escondidas,
Todos presenciaram a minha obra d’arte…
Comecei p'la túnica as primeiras pinceladas,
Terminei na cabeça com um grande remate!!!

POETA

ESPECIAL MÚSICAS DO MUNDO

E  a música especial de hoje é...
(Escolha musical da blogosfera)

CARLOS PAIÃO - «Lá Longe Senhora»

Poet'anarquista


LÁ LONGE SENHORA

Senhora da minha fé sabes como é ter recordações
Quantas vezes te chamei, quantas te rezei minhas orações
Quero ver a minha terra Senhora
Para ver a minha gente sonhar

Senhora da minha luz, a que me conduz onde posso ir
Cada dia aqui me tens, cada dia vens ouvir-me pedir
Quero ver a minha terra Senhora
Para ver a minha gente sorrir

É bonita a minha terra e agora, ai agora
Esconder esta saudade é mentir

E lá longe, lá longe, Senhora
Há pessoas que eu quero abraçar
De tão longe viemos embora
E dói muito partir sem voltar

De tão longe viemos embora
E dói muito partir sem voltar

Senhora da minha esperança que não se cansa de me dizer
Que sonhar só tem valor onde houver amor para se viver
Quero ver a minha terra Senhora
Para ver a minha gente crescer

É bonita a minha terra e agora, ai agora
Conhecer esta saudade é morrer.

Carlos Paião

OS TRÊS FORAIS

Dom Manuel por Graça de Deus
Foral da Vila de Alandroal

Por graça de Deus, do Rei de Portugal e dos Algarves, d’aquém e d’além mar em África e Senhor da Guiné e da conquista e navegação e comércio de Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia, a quantos esta nossa carta de foral dada para todo o sempre à Vila de Alandroal, vem fazer saber que por bem das sentenças e determinações gerais…

Dom Manuel por Graça de Deus
Foral da Vila de Terena

Por graça de Deus, do Rei de Portugal e dos Algarves, d’aquém e d’além mar em África, Senhor da Guiné e da conquista e navegação e comércio de Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia, a quantos esta nossa carta de foral dada para sempre à Vila de Terena…

Dom Manuel por Graça de Deus
Foral da Vila de Juromenha

Por graça de Deus, do Rei de Portugal e dos Algarves, d’aquém e d’além mar em África. Senhor da Guiné e da conquista e navegação e comércio de Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia e a todos quantos esta nossa carta de foral vem dar à nossa Vila de Juromenha, fazemos saber que por bem dás…
Poet'anarquista

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(26 de Agosto de 1988, morre o cantor, autor e compositor português Carlos Paião)

CARLOS PAIÃO - «Versos de Amor»

Poet'anarquista


VERSOS DE AMOR

Às onze e meia, saiu para a rua,
Com o seu fato domingueiro,
Dormindo a aldeia, brilhando a lua,
Num céu de estrelas, conselheiro
Coração quente, timidamente,
À sua porta então chamou
E abriu-se a janela e só para ela,
Triste, cantou...

Versos de amor,
Lindos esses versos de amor
Que fizera em segredo,
A sonhar, quase a medo,
Um viver tentador.
A sua vida por uns versos de amor,
Lindos esses versos de amor
Na mais terna amargura,
O silêncio murmura uma história de amor

A noite imensa, foi mais rainha,
Quando uma lágrima caiu,
Na recompensa, o amor que tinha,
Ela também chorou, sorriu
Foi tão bonito, tinham-lhe dito,
Que amar ás vezes faz doer,
Mas a dor que sentia,
Não lhe doía, dava prazer...

Versos de amor,
Lindos esses versos de amor
Que fizera em segredo,
A sonhar, quase a medo,
Um viver tentador.
A sua vida por uns versos de amor,
Lindos esses versos de amor
Na mais terna amargura,
O silêncio murmura uma história de amor

Carlos Paião

sábado, 25 de agosto de 2012

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(25 de Agosto de 1918, nasce o maestro e compositor norte-americano Leonard Bernstein)

LEONARD BERNSTEIN - «Bolero de Ravel»

Poet'anarquista

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

POESIA - JORGE LUÍS BORGES

Jorge Francisco Isidoro Luís Borges Acevedo, na literatura Jorge Luís Borges, nasceu em Buenos Aires na Argentina, a 24 de Agosto de 1899. Foi um importante escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta. Começou a publicar os seus primeiros poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Destacou-se na cena internacional quando recebeu o prémio de editores «Formentor». Entre outros prémios que lhe foram atribuídos, ganhou o prémio «Cervantes» em 1980. Borges faleceu em Genebra, na Suiça, a 14 de Junho de 1986.
Poet’anarquista
Jorge Luís Borges
Poeta e Escritor Argentino

«Caricatura de Jorge Luís Borges»
Santiago Uceda
SOBRE O POETA E ESCRITOR...

Homem de ficção literária, paradoxicamente favorito de semióticos, matemáticos, filólogos, filósofos e mitólogos, Borges oferece, pela perfeição de sua linguagem, a erudição de seus conhecimentos, o universalismo de suas idéias, a originalidade das suas ficções, a beleza de sua poesia, uma verdadeira summa que honra a língua espanhola e o espírito universal.

Jorge Luís Borges nasceu em Buenos Aires no dia 24 de agosto de 1899. Por influência da avó inglesa, foi alfabetizado em inglês e em espanhol. Em 1914 viajou com a sua família para a Europa e instalou-se em Genebra, onde cursou o ensino médio.

Em 1919 mudou-se para a Espanha e aí entrou em contato com o movimento ultraísta.

Em 1921 regressou a Buenos Aires e fundou com outros importantes escritores a revista Proa.

Em 1923 publicou seu primeiro livro de poemas, Fervor de Buenos Aires. Desde essa época, adoece dos olhos, sofre sucessivas operações de cataratas e perde quase por completo a vista em 1955. Tempos depois se referiria à sua cegueira como «um lento crepúsculo que já dura mais de meio século».

Desde o seu primeiro livro até a publicação das suas Obras Completas (1974) transcorreram cinquenta anos de criação literária durante o qual Borges superou a sua enfermidade escrevendo ou ditando livros de poemas, contos e ensaios, admirados hoje no mundo inteiro.

Recebeu importantes distinções de diversas universidades e governos estrangeiros e numerosos prémios, entre eles o de Cervantes em 1980.

A sua obra foi traduzida em mais de vinte e cinco idiomas e levada ao cinema e à televisão. Prólogos, antologias, traduções, cursos e conferências testemunham o esmero incansável desse grande escritor, que revolucionou a prosa em castelhano, como têm reconhecido sem excepção os seus contemporâneos.

Borges faleceu em Genebra no dia 14 de junho de 1986.
Fonte: www.mibuenosairesquerido.com/


O CÚMPLICE

Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento é todas as coisas.
O peso exacto do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta. 

Jorge Luís Borges

OS JUSTOS

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo. 

Jorge Luís Borges

NOSTALGIA DO PRESENTE

Naquele preciso momento o homem disse:
«O que eu daria pela felicidade
de estar ao teu lado na Islândia
sob o grande dia imóvel
e de repartir o agora
como se reparte a música
ou o sabor de um fruto.»
Naquele preciso momento
o homem estava junto dela na Islândia. 

Jorge Luís Borges

GENTILEZA «A NOSSA CANDEIA»

Lápides Funerárias
Séc. XIV/ XV

Alandroal - Património entre a História e a Mudança...

Promovida pela CMA, a intervenção em curso no âmbito das obras de Requalificação do Castelo de Alandroal, permitiu a descoberta de 11 lápides utilizadas nos séculos XIV e XV.

Associadas a outros materiais trazidos à luz do dia pelas escavações arqueológicas que tiveram lugar no espaço intra-muralhas da sede do concelho, as lápides irão integrar o Núcleo Museológico do Castelo que, a criar para o efeito, permitirá a residentes e visitantes enriquecer e consolidar a vivência do presente, através de um melhor e mais sustentado conhecimento do passado... assim se preservam os traços da construção identitária dos espaços, através  da valorização e do reconhecimento do Património material através de vestígios que são indicadores de um trajeto temporal, cuja percepção configura o que somos, contribuindo para o que podemos vir a ser...
Fonte: aqui «A Nossa Candeia»

FESTIVAL DA JUVENTUDE - DESPORTO EM DESTAQUE

1000 Metros a Nadar
Prova de Orientação

Prática Desportiva em Destaque no Festival da Juventude de Alandroal

A prática desportiva vai estar em destaque nesta edição do Festival da Juventude de Alandroal, com a realização de uma prova de natação e outra de orientação, que pretendem ser momentos de convívio e boa disposição. As provas realizam-se no dia 30 de Agosto e são ambas destinadas a toda a população.

A prova de natação tem início pelas 10:00 horas, nas piscinas municipais de Alandroal, e consiste na realização de 1000 metros a nadar, em equipas de dois elementos. Cada elemento terá que nadar, no mínimo, 100 metros durante a prova. Ao longo da manha haverá também aulas de hidroginástica abertas à população. De salientar ainda que todos nos 1000 metros a nadar terão entrada gratuita nas piscinas municipais.

De tarde, pelas 16:30 horas, terá lugar uma prova de orientação, de iniciação, em que todos podem participar, independentemente do seu nível de preparação. A concentração para esta actividade é junto ao Posto de Turismo de Alandroal. Os vencedores de cada actividade terão direito a uma refeição, para duas pessoas, num dos restaurantes do concelho.

Caso deseje mais informações sobre estas actividades deve entrar em contacto com a secção de Desporto da Câmara Municipal de Alandroal, através do telefone 961 367 005 ou do email desporto.dsscd@cm-alandroal.pt. Em alternativa pode também dirigir-se ao Posto de Turismo de Alandroal, na Praça da República. Não perca tempo e faça já a sua inscrição.
Fonte: gabineted'imprensa/cmalandroal

Câmara Municipal de Alandroal
Vila d'Landroal

CARTOON versus QUADRAS

RTPrivada
HenriCartoon

«RTPRIVADA»

O governo vai concessionar a RTP
Ao privado que irá então beneficiar
Das verbas pagas por nós, já se vê…
A  facturação na luz vai aumentar!

Mas porque raio apagaste tu a luz?…
Ver tv às escuras, aos olhos faz mal!
-Mulher, p’la tua conversa se deduz
Que apagando a luz mudo de canal!!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(24 de Agosto de 1948, nasce o compositor Jean-Michel Jarre)

JEAN-MICHEL JARRE - «Revolution»

Poet'anarquista


REVOLUÇÃO

Humano, não humano
Liberdade, não a liberdade
A mudança, nenhuma mudança
Revolução

Emprego, emprego não
Escolha, sem escolha
Memória, sem memória
Revolução

Revolução

Sexo, sem sexo
TV, sem TV
Futuro, sem futuro
Revolução

Computador, não, não de computador
Sexo, não, não, nada de sexo
Memória, não, não, nenhuma memória
Revolução

Escolha, sem escolha
Liberdade, não há liberdade
TV, não, não, não TV
Mudar, não, nenhuma mudança

Revolução

Jean-Michel Jarre

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

FESTAS DE SETEMBRO 2012 ALANDROAL

Programa das Festas de Alandroal
Cartaz

Festas de Setembro
Em Honra da Padroeira Nª Srª da Conceição

De 31 de Agosto a 03 de Setembro de 2012
Alandroal em Festa

Imagem de Nossa Senhora da Conceição
Padroeira do Alandroal

Programa das Festas de Setembro
Alandroal em Festa

Oásis Trio * C Coincas & Liaça - DJ Sam
Noite de 31 de Agosto de 2012

Espectáculo com Rouxinol Faduncho
Noite de 1 de Setembro de 2012

Kris Rosa
Noite de 2 de Setembro de 2012

Banda do Centro Cultural de Alandroal
Arruadas 1 e 2 de Setembro de 2012

Organização - Câmara Municipal de Alandroal
Vila d'Landroal

CARTOON versus QUADRA

Às Portas dos Submarinos
HenriCartoon

«ÀS PORTAS DOS SUBMARINOS»

E onde estão esses tais documentos
Referentes à compra dos submarinos
P’ra  se averiguar  os financiamentos?
-Chefe, submergiram a outros destinos!

POETA

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(Dedicada aos Deuses Celtas)

HEVIA - «Zen-Música Celta»

Poet'anarquista

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

CARTOON versus QUADRAS

O Fim do Multibanco
HenriCartoon

«O FIM DO MULTIBANCO»

Ó Zé, não queimes ainda o teu cartão
Pode sempre ter uso para outros fins...
Podes pagar na Milionárima Martins,
P’ra cima de vinte euros à disposição!

Vinte euros? Olha-m'este rico engraçadinho…
O meu cartão versus depósito do meu carro
Está quase sempre na reserva ou paradinho…
A tua conversa fiada provoca-me escarro!

POETA

ESCULTURA - JACQUES LIPCHITZ

O escultor lituano Chaim Jacob Lipchitz, mais conhecido por Jacques Lipchitz, nasceu em Druskininkai a 22 de Agosto de 1891. Em Paris conhece artistas como Matisse, Picasso, Modigliani e Gris e rompe definitivamente com o clássico no seu trabalho. Foi o primeiro artista cubista a realizar trabalhos escultóricos e, a partir desse momento, altera completamente o estilo pessoal na sua obra. Lipchitz veio a falecer em Capri na Itália, a 16 de Maio de 1973.
Poet’anarquista
Jacques Lipchitz
Escultor Lituano

«Jacques e Berthe Lipchitz»
Amadeo Modigliani
SOBRE O ESCULTOR...
(Druskininkai, Lituânia, 1891 - Capri, Itália, 1973)

Fixa residência em Paris em 1909, estudando na Escola de Belas-Artes e na Academia Julien. Conhece Matisse, Modigliani, Gris e Picasso e marca a ruptura do clássico no seu trabalho. É o primeiro artista cubista a realizar esculturas. A partir da década de 20 o estilo de Lipchitz se altera. Fixa residência em Nova York entre 1940 e 1941 devido à ocupação nazista em Paris.

Lipchitz na Fundação Nemirovsky
Em maio de 1973, a Sra. Paulina Nemirovsky adquiriu na Malborough Gallery de Nova York um vigoroso desenho de Lipchitz. A sua intenção era surpreender o marido com um presente à altura do seu gosto refinado. Quebrava assim uma regra, já que habitualmente era ele quem escolhia e comprava as obras para a residência da família. Medindo 35 x 27cm, o desenho a nanquim e crayon, datado de 1939, pertencendo à série de estudos inspirada no mito grego de Prometheus, herói que, por ousar roubar o fogo de Zeus passou a ser atormentado por um abutre, devorando-lhe o fígado. O desenho em questão é uma das versões dessa cena primal: a figura humana aparece imbricada com um possível cavalo ou centauro em composição escultural realçada pelo claro-escuro. O embate do homem com o animal, reinterpretado seguidamente pelo artista, assumiu, em sua obra, valor simbólico, numa época em que a ascensão do nazismo constituía a grande ameaça à liberdade individual.

A invasão da França pelos alemães forçou Lipchitz e sua mulher a abandonarem sua casa e ateliê nas cercanias de Paris rumo à América. Em 1941, eles chegaram aos Estados Unidos, trazendo apenas duas pequenas esculturas e um portfolio contendo desenhos entre os quais, possivelmente, este que hoje pertence à Coleção Nemirovsky. Extraordinário o percurso desta obra. O desenho de Lipchitz permaneceu na casa da Rua Guadelupe, em São Paulo, por 32 anos. Em 2005, após a morte do casal Nemirovsky, foi transferido para o edifício da Estação Pinacoteca, juntamente com toda coleção. Atualmente, podemos vê-lo na exposição Acervo da Fundação Nemirovsky: O olhar do colecionador. Nesse conjunto, em que predominam obras do modernismo brasileiro, são raros os exemplares da arte europeia. Embora em pequeno número, os desenhos e gravuras assinados por representantes das vanguardas históricas são muito significativos. Isto porque foram as propostas inovadoras surgidas na Europa no começo do século que estimularam o abandono das práticas académicas ainda vigentes na América, na época.

Não cabe aqui explorar as várias vertentes da arte moderna e seus desdobramentos no Brasil. Entretanto, cabe relacionar o desenho de Lipchitz a duas outras obras do nosso acervo: a gravura Minotaure, buveur e femmes (1933) de Picasso e um desenho de Diego Rivera. Isto porque foi Rivera quem, em 1913, levou Lipchitz ao ateliê de Picasso, aproximação que se provou relevante para o desenvolvimento da escultura do jovem russo.

Em se tratando da obra escultórica de Lipchitz, há que assinalar a presença da escultura Homem com águia instalada no edifício do Ministério de Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. Essa escultura deriva de estudos da série Prometheus, a mesma a qual pertence o desenho adquirido por dona Paulina. Foi Le Corbusier quem sugeriu a encomenda de uma peça ao escultor. Em 1936, o arquiteto liderava a equipe encarregada de projetar o prédio que se converteria em marco da moderna arquitetura brasileira. O escultor enviou ao Rio um protótipo em escala reduzida que por engano foi aplicado à fachada do edifício. Em 1953, a escultura foi realizada nas dimensões corretas para o Museu de Filadélfia, nos Estados Unidos.
Fonte: Fundação Nemirovsky
«Máscara de Modigliani Morto» 
Lipchitz

«Entre o Céu e a Terra»
Lipchitz

«Cabeça»
Lipchitz

«Mulher com Leque»
Lipchitz

«Marinheiro com Guitarra»
Lipchitz

«Menina com Tranças»
Lipchitz

«Cabeça com Pala»
Lipchitz

«Mulher Sentada»
Lipchitz

«Estudo para Baixo-Relevo»
Lipchitz

«ESCULTURA»
JACQUES LIPCHITZ

ALANDROAL - FESTAS AGOSTO E SETEMBRO 2012

Festival da Juventude/ Agosto 2012
Festa Nª Srª da Conceição/ Setembro 2012

Alandroal Recebe Festas de Setembro e Semana da Juventude 2012

Praça da República será o Centro das Festividades

O Alandroal prepara-se para receber mais uma edição do Festival da Juventude e das tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora da Conceição, entre os dias 30 de Agosto e 03 de Setembro, onde a animação, a cor, a alegria e o convívio prometem ser as notas dominantes. As obras no interior do castelo e a necessidade de reduzir custos fazem com que todas as actividades deste ano se concentrem na Praça da República, Largo da Matriz e Rua João de Deus.

Com efeito, com um orçamento ainda mais reduzido do que em anos anteriores, sem esquecer que este é um importante momento de convívio, afirmação local e promoção do concelho, o Município preparou um conjunto de actividades abrangentes e transversais, em colaboração com as associações do concelho, que procuram agradar a toda a população.

Os primeiros dias das festividades (30 e 31 de Agosto) são dedicados aos mais jovens. As actividades desportivas, a animação nocturna, os concertos e as garraiadas estarão em evidência nestes dias. De destacar a participação do Esquadrão de Reconhecimento do RC3 de Estremoz, que vai possibilitar aos jovens do concelho e a todos os interessados o contacto com a vida militar através de passeios em viaturas blindadas ou a realização de baptismos equestres.

A noite de sexta-feira, dia 31 de Agosto, reserva ainda uma grandiosa Corrida de Toiros, com João Moura, Rui Fernandes e o jovem Rui Guerra, natural do concelho. Para pegar os 6 touros “Conde de Arriaga” estarão em praça os forcados amadores de Redondo, Ribatejo e Aposento do Alandroal, que disputam o “Troféu Sousa” para a melhor pega.

Já no sábado, dia 01 de Setembro, os amantes dos motores terão a oportunidade de assistir, ou participar, no Encontro de Carros Personalizados do Motorklub de Alandroal. A noite de Sábado reserva ainda um espectáculo com Rouxinol Faduncho, que apresentará o seu mais recente trabalho “Formidável Bigode”, um espectáculo criado para “dar um bigode à crise”! Para Domingo está marcado um momento inédito, com a actuação da Banda do Centro Cultural de Alandroal, que acompanha ao vivo os fadistas locais.

Mas porque as Festas em honra de Nossa Senhora da Conceição são muito mais que concertos e espectáculos, os bailes tradicionais, o artesanato e as tasquinhas com petiscos locais também estarão em destaque. Consulte o programa detalhado em «www.cm-alandroal.pt» ou em «www.facebook.com/cmalandroal».
Fonte: cmalandroal
Câmara Municipal de Alandroal
Vila d'Landroal

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
( Décimas populares chilenas por Violeta Parra)

VIOLETA PARRA  
«Pa' Cantar de un Improviso»

Poet'anarquista

Violeta del Carmen Parra Sandoval
Compositora Chilena

DÉCIMAS POPULARES 

Glosas


PA’ CANTAR DE UN IMPROVISO

Pa' cantar de un improviso
Se requiere buen talento,
Memoria y entendimiento,
Fuerza de gallo castizo.
Cual vendaval de granizos
Han de florear los vocablos,
Que han de asombrar hasta al diablo
On muchas bellas razones
Como en las conversaciones
Entre san pedro y san pablo.

También, señores oyentes,
Se necesita instrumento,
Muchísimos elementos
Y compañero elocuente.
Ha de ser buen contendiente,
Conocedor de la historia;
Quisiera tener memoria
Para entablar desafío,
Pero no me da el sentío
Pa' finalizar con gloria.

Al hablar del instrumento
Diríjome al guitarrón,
Con su alambre y su bordón:
Su sonoro es un portento.
Cinco ordenanzas le cuento,
Tres de a cinco, dos de a tres,
El clavijero a sus pies,
La entrastadura elegante.
Cuatro diablitos cantantes
Debe su caja tener.

Y pa' cantar a porfía
Habrá que ser tocadora,
Arrogante la cantora
Para seguir melodía,
Garantizar alegría
Mientras dure el contrapunto,
Formar un bello conjunto,
Responder con gran destreza:
Yo veo que mi cabeza
No es capaz para este asunto.

Por fin, señores amables,
Que me prestáis atención,
Que habéis hallado razón
De hacerle quite a este sable:
Más no quiero que se entable
Contra mí algún comentario
: pa' cominillo e' los diarios
Sobran muchos condimentos.
No ha de faltarme el momento
Que aprenda la del canario.

Violeta Parra

terça-feira, 21 de agosto de 2012

MEMÓRIAS

A era de Cristo é adoptada em Portugal a 22 de Agosto, do ano de 1422. Amanhã, 22 de Agosto de 2012, estarão passados 590 anos dessa data histórica em que o calendário foi alterado. Entrava-se na era de Cristo da contagem do tempo, e abandonava-se a era de César até então utilizada. Carta Régia d'el Rei D. João I assim o determinou...
Poet'anarquista
D. João I - Rei de Portugal
«O de Boa Memória»
A ERA DE CRISTO

Até 22 de Agosto de 1422, Portugal utilizava o calendário da chamada era de César, que contava os anos tendo em conta o calendário Juliano cujo ano zero é 38 a.C. Este calendário foi substituído, naquela data, pelo da era de Cristo, através de Carta Régia de D. João I.
Fonte: O Leme

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(21 de Agosto de 1989, morte do músico e poeta Raul Seixas)

RAUL SEIXAS - «As Profecias»

Poet'anarquista


AS PROFECIAS

Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar, carregado sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nessa tarde tão calma
O tempo parece parado?

Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro,
Dos loucos que escrevem no muro.
Das teias do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto.
A chama da guerra acesa,
A fome sentada na mesa.
O copo com álcool no bar,
O anjo surgindo no mar.
Os selos de fogo, o eclipse,
Os símbolos do apocalipse.
Os séculos de Nostradamus,
A fuga geral dos ciganos.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.

Um gosto azedo na boca,
A moça que sonha, a louca.
O homem que quer mas se esquece,
O mundo dá ou do desce.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Sem fogo, sem sangue, sem ás
O mundo dos nossos ancestrais.
Acaba sem guerra mortais
Sem glorias de Mártir ferido
Sem um estrondo, mas com um gemido.

Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolo do apocalipse
A fuga geral do ciganos
Os séculos de Nostradamus.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um dia...
Sim, sim, sim...

Raul Seixas

«TRILOGIA DO GUADIANA»

II NARRATIVA

 «Esta é a segunda narrativa das três que fazem parte da “Trilogia do Guadiana”.

«Garrafa com Manuscritos»
Encontrada em Açude no Guadiana

Lembramos que estes escritos foram encontrados dentro de uma garrafa por um pescador do rio, Maurício de seu nome, em 1990. A garrafa estava encalhada num açude de azenha. Os manuscritos estavam em língua castelhana e não vinham assinados. Os títulos e a tradução são da minha responsabilidade.»

Eveline Sambraz

BADAJOZ

Quando Rufino Potra, em Madrid, chegou à estação do Levante, naquela manhã de Abril de 1936, tinha acabado de chegar o comboio de Valência. Ia esperar Largo Maltese, um amigo doutro amigo, a quem ele tinha prometido ajudar na busca dum mapa antigo que estaria na biblioteca municipal de Badajoz. Esse mapa, por absoluto acaso do destino, fora parar a essa biblioteca por via da herança de um antigo navegador do século XIX que, depois de passar grande parte da sua vida nas colónias espanholas da América Central, acabara os seus dias em Badajoz, legando à cidade todo o seu espólio. Esse espólio estaria ainda por classificar e jazia há dezenas de anos nas caves do magnífico edifício que albergava a biblioteca municipal. O amigo de Largo Maltese, também amigo de Rufino, sabendo que este era natural de Cheles e que tinha feito os estudos preparatórios em Badajoz, conhecendo a cidade muito bem, não achara melhor solução que entregar-lhe o recém chegado.

«Comboio»
Hugo Pratt

A Madrid de 1936 fervilhava de vida e boatos. A vitória da Frente Popular dois meses antes, em eleições muito disputadas, tinha dado à capital espanhola um movimento inusitado. Havia sempre muita gente a chegar, muita gente a partir e os comboios, apesar dos tradicionais atrasos dos caminhos de ferro espanhóis, andavam sempre apinhados. Excepcionalmente, a composição vinda de Valência tinha chegado dentro do horário. Foi preciso esperar um bom pedaço de tempo antes que se desfizesse a confusão dos que chegavam e dos que partiam, entre os gritos dos bagageiros que ofereciam os seus serviços e o resfolgar das locomotivas.

«Corto Maltese»
Hugo Pratt

Quando aquela balbúrdia acalmou, Rufino, vislumbrou ao fundo do cais um homem que nunca mais esqueceria. Não tanto pelo aspecto físico, mas sobretudo pelos problemas porque iriam passar juntos nos próximos dias. Era um homem alto, fisicamente bem constituído, muito moreno e exibia um farto bigode que lhe caía aos cantos da boca. As feições pareciam indicar que era mestiço, mesmo que a mistura de sangues se tivesse dado há várias gerações. A verdade é que os lábios cheios e o cabelo anelado, embora longo e caído sobre os ombros, indiciavam a presença de antepassados negros na sua família. Estava vestido como os marinheiros sempre se vestem em terra: Calças largas, botas de couro muito flexível, grossa camisola de malha com gola alta e casacão azul muito escuro. Ao ombro, como bagagem, trazia um grande saco de lona.
«Corto Maltese/Morgana»
Hugo Pratt

Vale a pena falar um pouco mais deste homem já que a sua participação nesta narrativa será de muita importância. Cidadão espanhol, tinha nascido em Cuba no fim século dezanove, quando aquela ilha ainda era uma colónia espanhola. A guerra hispano-americana apanhara-o ainda criança e mudara-se com a família para o México no início do século vinte. Aí, tivera uma vida aventurosa, sempre tendo o mar como cenário. O mar das Caraíbas, mais propriamente. Vinha em busca do tal mapa porque nele estaria assinalada a localização de um tesouro escondido pelos espanhóis quando estes ainda dominavam o México. Um aventureiro, como facilmente se vê. Irmão, ou meio irmão, segundo Rufino julgava saber, de Corto Maltese, outro aventureiro.
«Corto Maltese»
Hugo Pratt

Quando se encontraram frente a frente e Rufino se apresentou, trocaram um vigoroso aperto de mão, tendo o recém chegado informado que tinha quarto reservado num hotel do centro da cidade, mas que apenas tencionava demorar-se em Madrid o tempo estritamente necessário. Tinha igualmente reservado um automóvel e queria partir para Badajoz o mais rapidamente possível. O hotel, um dos melhores da cidade, reconheceu Rufino, tinha realmente um quarto reservado e um automóvel pronto a partir. Combinaram partir no dia seguinte mal o sol nascesse. Também se ajustou a dormida de Rufino no hotel para evitar demoras de última hora. Parecia não faltar dinheiro nos bolsos do visitante.

«Corto Maltese»
Hugo Pratt

SOULCONCIOUS 
La Victoria del Frente Popular Español 
  «Elecciones Demócráticas del 16 de Febrero de 1936»

Poet'anarqquista

Convém, para melhor se entender o que vem a seguir, dar uma explicação do ambiente que se vivia em Madrid por essa época. Os espanhóis tinham ido às urnas no dia 6 de Fevereiro passado, Domingo de Carnaval. As eleições tinham sido ganhas pela Frente Popular que, entretanto, já tinha formado governo. O primeiro-ministro, don Manuel Azaña, líder do partido republicano, desdobrava-se em esforços, não só para dar um novo rumo ao país, como para harmonizar as posições dos partidos de esquerda que compunham a coligação. Os vários partidos das direitas, que não aceitavam a derrota eleitoral e conspiravam abertamente contra o governo, todos os dias pediam a intervenção dos militares. Os tiroteios entre os falangistas, já apostados numa guerra civil, e as várias orientações de esquerda, eram diários. A cidade fervilhava de boatos sobre assassinatos políticos e levantamentos militares. Todos os quartéis de Madrid estavam de prevenção. O clima social e político da capital de Espanha era de cortar à faca. Dizia-se que os partidos das direitas estavam a armar os seus militantes e que estaria iminente um golpe de estado contra a República.

«Corto Maltese»
Hugo Pratt

Foi esta cidade que os nossos dois conhecidos deixaram para trás naquele fim de Abril quando tomaram o caminho de Badajoz. Ao fim do dia, já instalados nesta cidade da Extremadura espanhola, recolheram cedo à pensão onde se hospedaram, pois tencionavam começar a procurar o mapa logo pela manhã. Munidos das respectivas autorizações do Ayuntamiento da cidade, onde Largo Maltese se apresentou como historiador de assuntos relacionados com as antigas colónias de Espanha, começaram a vasculhar os caixotes do espólio a que já fizemos referência. Não encontraram nada. Do mapa, nem sombra. Por mais que uma vez passaram a pente fino todo o espólio, mas sem qualquer resultado positivo. Ainda falaram com o responsável da biblioteca que, muito assustado e sem motivo aparente para tanta agitação, os informou que os caixotes estavam naquela cave há mais de cinquenta anos sem nunca terem sido abertos.
 «A Ilha do Tesouro de Robert Stevenson»
Ilustração de Hugo Pratt

Desanimado mas conformado com o resultado da pesquisa, Largo Maltese disse a Rufino que teria que continuar a busca noutros lugares, pois tinha a certeza que o mapa existia. E o tesouro, por suposto, também. E ele, agora mais do que nunca, estava disposto a deitar-lhe a mão. Fariam uma última tentativa no dia seguinte. Depois, fosse qual fosse o resultado, regressariam a Madrid. No dia seguinte voltaram a passar em revista todo o espólio, chegando à mesma conclusão: O mapa não se encontrava ali. 

«Corto e Blueberry»
Hugo Pratt

Foi nessa altura que repararam em vários outros caixotes que também se encontravam na cave, embora um pouco afastados daqueles que lhes tinham sido indicados como sendo os que procuravam. Os caixotes em causa pareciam em melhor estado de conservação que os anteriores, decerto não se encontravam naquela cave há tanto tempo. Rufino, que estava muito desiludido com o resultado da busca, por raiva e descargo de consciência, meteu a alavanca às tábuas e retirou a tampa. Surpreendido, verificou que o caixote estava cheio de metralhadoras e carregadores de munições. As armas eram novas e de modelo relativamente recente. Depois de chamar Largo Maltese, que se encontrava junto dos caixotes do espólio que os tinha levado a Badajoz, procurando ainda no seu interior, abriram os restantes caixotes e confirmaram aquilo que já lhes parecia óbvio: Todos continham o mesmo tipo de armas e munições.
«Corto Maltese»
Hugo Pratt

Quando saíram da biblioteca foram de imediato para o quartel do comando militar da cidade e falaram com o responsável sobre o seu achado. Ainda se demoraram mais dois dias na cidade. O suficiente para saberem que aquelas armas estavam a entrar clandestinamente em Badajoz, vindas de Portugal, e se destinavam a armar os militantes falangistas. Apenas esperavam que se desse o levantamento militar de que todos falavam.

O levantamento militar deu-se em 17 de Julho de 1936.

Quanto aos nossos dois intervenientes, Largo Maltese e Rufino Potra, depois de se despedirem em Madrid, no dia 4 de Maio de 1936, nunca mais se encontraram ou souberam um do outro.
«Corto Maltese»
Hugo Pratt

Rufino Potra nunca soube se Largo Maltese chegou a encontrar o tesouro que buscava. E Largo Maltese nunca teve conhecimento dos trabalhos de Rufino Potra durante a Guerra Civil Espanhola, que se iniciou, precisamente, em 17 de Julho de 1936.

De autor desconhecido
Maio de 1990
Com tradução do espanhol de Eveline Sambraz