sábado, 9 de dezembro de 2017

OUTROS CONTOS

«Pelo Zurro o Burro», conto académico por Almeida Garrett.

«Pelo Zurro o Burro»
Caprichos/ Goya

1124- «PELO ZURRO O BURRO»

Era uma vez: diz mestre La Fontaine.
Que lho dissera Fedro seu amigo.
Que lho dissera um grego corcovado…
Pois tudo neste mundo vai por ditos,
Tudo se diz porque outros o disseram…
E talvez que não fosse La Fontaine,
Mas foi outro que tal, que vale o mesmo.
Um dia… mas o fio à minha história
Não o torno a quebrar por coisa alguma:
Poema que tem muitos episódios
Nunca pode ser bom, nem bons ser eles:
Diz padre Horácio ou outro tal como ele
Destes que intentam acanhar o génio
Com leis servis por eles arranjadas
Que, segundo a moderna guapa escota,
As não pode sofrer de tais birbantes.
Um dia pois o pai de homens e numes,
Como eu ia contando aos meus leitores…
– Se é que a sorte, que os nega a bons poetas
Mos deparar a mim, chulo trovista –
A rogos, mas de quem já me não lembra,
Asno felpudo de orelhões caídos
Quis transformar em férvido ginete;
E ao bom Mercúrio, seu fiel ministro,
Manda que o longo pêlo lhe tosquie
E um bom naco cerceie das orelhas.
Era grande o burrico, nédio e gordo.
E por milagre do supremo Jove,
Que sempre faz como este bons milagres,
Ei-lo desempenado e mui lampeiro,
Qual andaluz coroei ou égua arábia,
A par doutros corcéis se vai trotando.
O povo cavalar na forma nova
Não reconhece a burrical maranha.
Como eles folgazão retouça e pula,
Ladeia, faz coroavas, trava o passo,
Enfim parece – tanto podem numes
E tal é o poder de um bom milagre! –
Cavalo-mestre e feito em picaria.
– Qual rústico peão de bronca aldeia
De tamancos nos pés, no saco a broa,
Que vem para embarcar lá da província,
E para um tio, que é senhor de engenho,
Ricaço em pretos, em arroz, melaço,
Engoiado aprendiz vai ser caixeiro:
Morre-lhe o tio, eis o rapaz num sino,
Vende pretos e pretas e melaço,
E vem, Creso de cocos e patacas,
Meter toda Lisboa num chinelo:
Já por boas, luzentes amarelas
Serôdio compra fidalguesco foro…
Dantes – que hoje a visita da saúde,
Em cheirando a caturra, a bordo o prende,
E é já barão quando põe pé em terra.
Ei-lo que alteia os ombros encolhidos,
Entufa em vento as bochechudas belfas,
Empina a pança, engrossa a voz pausada.
E no tropel dos nobres envolvido,
Se o não conheces, crera-lo provindo
Dos que nos velhos pergaminhos vivem.
Tal já desorelhado e ufano o burro
Entre altivos ginetes campeava.
Mas, oh! fado infeliz, mesquinha sorte!
Quando entre os novos ledos companheiros
Se vai trotando com pimpão meneio,
Ei-lo depara com vilã jumenta
De hirsuta felpa e de costado esguio,
Que os fios corta d’alma a quem a via,
Como bem diz Latino-luso vate
De mui gaiata e festival memória,
Súbito esquece o recém-nobre estado,
Lembram-lhe antigos, burricais requebros
E o tom galanteador de asnal namoro:
Estira amante o beijador focinho,
E em notas de invejar por um Lablache,
Salmeia airoso, compassado orneio,
Deixa os amigos e a zurrar se fica?
Ora pois, como fez o senhor lave,
Fez certo grão senhor de letras gordas
E protector das magras. – Foi milagre
Que pela intercessão foi operado
De uma a que chamam deusa da Sandice,
De outra Impostura e de outra Pedantice…
Começa o caso co outro parecido.
Havia em certa terra muito longe,
Lá nas pontes dos pés deste hemisfério,
Que dizem fora outrora povoada
Por certo beberrão feitor de Saco,
Havia uma família de animálculos,
Zoófitos, e quase microscópicos,
Aos quais Lineu, que achou nomes a tudo,
Nunca deu nome, nem espécie ou género,
Nem eu lho sei também, só sei que arrotam
Textos, medalhas, químicas rançosas,
Que trazem na algibeira um compassinho,
Muito acanhado, curto e pequenino,
Talhado ao molde dos miolos deles,
Com que querem medir todo este mundo.
Destes pois – e aqui vai o grão milagre –
Burros na forma, na ciência burros,
Mas burros mais que tudo na cachola,
Quis o tal grão senhor citado acima
Fazer– ó musa o quê? – Dize, não temas,
Não fujas, diz e vai-te. – «Uma Academia»
Disse a musa e safou-se às gargalhadas.
Mas que Academia! – Oh! venham as brilhantes
De Londres, de Paris, de Petersburgo
Beber aqui ciência não sabida
De assopradas, pomposas ninharias.
Que produções, que produções! Oh quanto
Quanto seria mais se um deus maligno,
Inimigo dos guapos académicos,
Das três que Deus nos deu potências de alma
Lhes não sacasse duas à sorrelfa,
Deixando só memórias e memórias…
Quanto seria mais, quanto fulgira
Em gordos, grossos, grandes calhamaços
A portuguesa, majestosa língua,
Se os novos sábios, no começo à empresa,
A antigas manhas não perdendo o afinco,
Não encontrassem por desgraça nossa
Cum pérfido azurrar – zurrar maldito!…
Ficaram no Azurrar sempre zurrando.

Almeida Garrett

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(8 de Dezembro de 1980- é assassinado o poeta, músico, cantor, compositor e um dos fundadores da banda britânica The Beatles, John Lennon)

JOHN LENNON - «Walls and Bridges»
(Álbum Completo)

Poet'anarquista

John Lennon
Músico Britânico

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(8 de Dezembro de 1943- nasce o poeta, cantor e compositor estadunidense, Jim Morrison)

THE DOORS - «Morrison Hotel»
(Álbum Completo)

Poet'anarquista

The Doors
Banda Estadunidense

OUTROS CONTOS

«O Riso de Deus», por António Alçada Baptista.

«O Riso de Deus»
António Alçada Baptista

1123- «O RISO DE DEUS»

[Excertos]

“É que a gente ainda não se deu bem conta das virtudes das nossas fraquezas: às vezes, aquilo que faz do foguetão que nos coloca numa órbita donde se lança outro olhar sobre o planeta Terra, são os nossos medos, ou o nosso orgulho, ou a nossa incapacidade de agarrar formas de poder.

Outra coisa: acho que a nossa vida tem ciclos. Julgo que estou no fim de mais um ciclo e que vou começar outro. Então temos uma imensa vontade de nos olharmos por dentro para compreender e pôr em ordem as coisas que por lá andam em desalinho. Este ciclo é capaz de ser o último mas o mais decisivo: é o resultado de uma vida e por isso é preciso fazer uma paragem para ver se se encontra o caminho que vai dar ao amor. Dói muito o amor no Outono porque nos é agora muito evidente que andámos enganados, que temos de descobrir outra estrada e que, para isso, não é fácil arranjar companhia…o Malraux dizia que “quando os sistemas de valores se desmoronam, o homem não encontra mais que o seu corpo.”

(…)

Os que sonham a dormir sabem, de manhã, que isso era uma ilusão mas os que sonham de olhos abertos, acreditam que o estofo do futuro será feito desse sonho.”

***

“A letra de Deus nem sempre é decifrável e ninguém conhece a língua em que escreveu a alma humana.”

“A gente não pode perder a esperança na realização dos sonhos e temos de manter isso até à hora da morte.

… a gente vai aprendendo, aprendendo, e, quando já está a saber quase tudo, morre…”

“- Rita: eu acho que Deus tem assim um sorriso como o teu quando nos vê amargurados…

- E eu acho que ele se ri mas é daqueles que andam por aí, muito contentes e convencidos, a fazerem o mundo como está…”

“Possivelmente, o amor continua a chamar-nos do centro do labirinto e nós andamos às voltas sem sermos capazes de o encontrar.”

António Alçada Baptista

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

Desporto Nacional
Sátira...

«DESPORTO NACIONAL»

Se não me enganei a contar…
99 cêntimos mais 1 cêntimo,
Dá 1 euro… somatório óptimo!...
Com os outros que vou somar,
Pra alguma coisa deve chegar.
Se alguém disser: ‘comprove’,
É só fazer a prova dos nove…
Não sou mau em aritmética,
Mas são os versos com métrica
O que realmente me comove!

POETA

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

SÁTIRA...

Viagens
Sátira...

«VIAGENS»

- Maria, diz aqui no jornal…
Creio não haver engano,
Que o governo no próximo ano
Fará viagens fora do normal.
- Zé, velha prática ancestral
Dos políticos à nossa custa…
O que gastam, até assusta!
- Pena a viajem adquirida
Não ser mesmo só de ida…
Sem volta, era mais justa.

POETA

terça-feira, 28 de novembro de 2017

OUTROS CONTOS

«O Peru de Natal», por Alberto Moravia.

«O Peru de Natal»
Peru de Natal/ Carlos Orduña

1122- «O PERU DE NATAL»

No dia de Natal, quando o comerciante Policarpi-Curcio ouviu no telefone a mulher pedindo-lhe que chegasse em casa pontualmente porque tinha peru, alegrou-se muito, visto que, com o passar dos anos, não lhe restara outra paixão a não ser a gula. Imensa porém foi sua surpresa quando, ao chegar em casa por volta de meio-dia, encontrou o peru não na cozinha, enfiado no espeto e girando lentamente sobre um fogo de carvão, mas na sala de visita. O peru, vestido com elegância antiquada, com um paletó preto com debruns de seda, calças em tecido xadrez preto e branco e colete cinza com botões de osso, conversava com a filha de Curcio. A surpresa de Curcio ao encontrar o peru numa atitude e num lugar tão insólitos foi tão grande que, após as apresentações, aproveitando um momento de silêncio, ele não pôde deixar de inclinar-se para frente e dizer com cortesia mas também com firmeza: "Com licença, senhor... não sei se estou enganado... mas... mas me parece que o seu lugar não deveria ser aqui... repito, não sei se estou enganado... mas... o seu lugar deveria ser..." ia dizer "na panela", quando a mulher que, como ela mesma dizia, conhecia o seu rebanho, pisou-lhe no pé; e Curcio, que sabia por longa experiência o que significava aquele gesto, calou-se. A mulher, então, fez-lhe um sinal e, arrastando-o para fora da sala, disse-lhe em voz baixa e excitada que, pelo amor de Deus, não estragasse tudo. O peru era nobre, rico e influente; enfim, um excelente partido; e já demonstrava um interesse particular e evidentíssimo por Roseta; por acaso, com seus estúpidos comentários, ele queria acabar com o casamento que estava quase para se concretizar? Curcio desculpou-se com a mulher e jurou que não abriria mais a boca. Quanto ao peru, a pergunta do anfitrião desavisado teve apenas o efeito de fazê-lo pegar o monóculo e examinar o infeliz de cima a baixo. Logo depois voltou a conversar com a filha de Curcio.

"Não adianta falar", pensava Curcio daí a pouco, sentado à mesa, enquanto a mulher se desdobrava em cortesias com o peru, "com um tipo como este, mais que dar-lhe a filha em casamento, a gente gostaria de torcer-lhe o pescoço". Curcio estava irritado sobretudo com o ar de superioridade e displicência que o peru assumia toda vez que lhe dirigia a palavra. Curcio sabia muito bem que vinha, como se costuma dizer, do nada, e que suas maneiras não eram tão elegantes como a mulher e a filha desejariam que fossem. Mas ele trabalhara a vida toda e ganhara muito dinheiro, era essa a razão pela qual não tinha tido tempo de cuidar da sua educação. O peru, ao contrário, com toda aquela empáfia, não poderia dizer o mesmo. Belas maneiras, sem dúvida, ares de grão-senhor, mas no final das contas, Curcio poderia jurar, pouca substância. Outra coisa que irritava Curcio era a maneira com a qual o peru, após ter dito alguma coisa espirituosa ou profunda, atirava a cabeça para trás, enfiando o bico e os barbilhões na gravata preta de plastrão e estufando o peito debaixo do colete. E finalmente o peru falava com a mulher de Curcio com a mesma escolha cuidadosa de palavras e a mesma modulada preciosidade de acento com que se dirigiria a uma duquesa. Mas Curcio enfurecia-se porque lhe parecia perceber certa dose de ironia neste respeito excessivo. "Para a panela", pensava, "para a panela...” 

Contudo, essa antipatia de Curcio era mais do que compensada pela enfatuação das duas mulheres, mãe e filha, pelo peru. A mulher de Curcio e Roseta ficavam simplesmente suspensas aos lábios, ou melhor, aos barbilhões do peru, que as fascinava com seus relatos incríveis de festas, divertimentos, viagens, sucessos mundanos. A familiaridade respeitosa de um peru como aquele, que tinha intimidade com a alta sociedade, envaidecia a mãe. Quanto a Roseta, ela enrubescia, empalidecia, tremia e dirigia ao peru olhares ora suplicantes, ora inflamados, ora lânguidos, ora assustados. Acontece que desde o início do almoço o pé do peru, calçado numa antiquada mas elegante bota de camurça cinza com botões de madrepérola, não parava um instante sequer de molestar a sapatilha da moça.

Depois que o peru foi embora, houve uma discussão violentíssima entre Curcio e a mulher. Curcio dizia que estava na hora de parar com esses elegantões sofisticados e esnobes que, como todo mundo sabe, escondem sob a arrogância um monte de trapaças. Ele tinha trabalhado a vida toda e não se sentia inferior a nenhum peru deste mundo. A mulher respondia que este furor era inútil; o peru nunca afirmou que era superior a ele; que bicho o tinha mordido? Quanto a Roseta, tendo-se deitado como costumava fazer todo dia depois do almoço, já estava sonhando com o peru. Via-o inclinado sobre ela que estava deitada de costas, as asas em volta de seus ombros, o bico sobre seus lábios entreabertos. 0 peru olha para ela carrancudo, e começa a estufar-se, a estufar-se, enchendo o quarto com suas penas cinzentas; mas, embora seja imenso ele parece leve ao colo de Roseta que suspira no sono e murmura: "Querido peru".

Nos dias seguintes apesar da crescente e visível antipatia de Curcio, o peru acabou se instalando na casa. Almoçava com eles; em seguida, ia para a sala de visita com a filha e lá ficava até a hora do jantar. Os dois, disse a mulher a Curcio, estavam praticamente noivos, embora o peru por motivos de família não quisesse que fosse feito, por enquanto, o anúncio oficial. "Belo genro", resmungava Curcio, “aceito um homem trabalhador, simples, de bom coração, mas um peru..." Curcio, entrando em casa, podia ver, através dos vidros da porta da sala, a graciosa cabeça da filha ao lado da cabeça oca, feroz e estúpida do peru. Ele pensava que aquelas mãozinhas tão brancas e miúdas podiam estar acariciando aqueles barbilhões vermelhos e enrugados e sua antipatia aumentava.

Acontece que, mesmo continuando a cortejar Roseta, o peru não se decidia a pedi-la em casamento. Até a mãe começava a ficar preocupada. Se era um peru sério, disse ela um dia para a filha, devia apresentar-se aos pais e pedi-la em casamento. Roseta, ao ouvir essas palavras, olhou assustada para a mãe e não disse nada. Na realidade, o peru tinha conseguido desde os primeiros dias obter da moça os extremos favores. E agora ela, não menos que a mãe, estava ansiosa para que o peru regularizasse , por assim dizer, sua situação.

Um dia Roseta recebeu o peru na sala com um rio de lágrimas. Ela não podia viver daquela maneira, balbuciava entredentes, mentindo para si mesma e para os pais O peru percorria a sala com largas passadas, as penas desalinhadas fora do colete, o bico entreaberto e enfurecido, os olhos injectados de sangue. Finalmente disse-lhe que ela podia tirar da cabeça a ideia de casamento. Em vez de casar, se ela quisesse, podia fugir com ele para o exterior. Naquela noite ou nunca mais. Após muitas hesitações, Roseta acabou concordando.

Naquela noite, Curcio, que sofria de insónia, levantou-se para ir tomar um pouco de ar na janela. Era uma noite de verão com a lua no auge de seu esplendor. Os Curcio moravam num palacete. Olhando pela janela, sem fazer barulho nem acender as luzes para não acordar a mulher, a primeira coisa que viu foi a sombra gigantesca do peru, com a cabeça erguida e o pescoço estufado, o bico verruguento virado para cima, reflectida nitidamente na parede da casa inundada pela branca luz do luar. Ele baixou os olhos .e ainda teve tempo de ver a filha pular de uma janela do primeiro andar entre os braços do peru. Este, carregando-a nos braços como se fosse uma trouxa, com uma força de que ninguém suspeitaria, rapidamente levava a moça em direcção ao portão. Curcio acordou a mulher, correu a buscar uma velha espingarda. Mas quando desceu não encontrou nenhum sinal dos fugitivos.

No dia seguinte, Curcio deu parte à policia do rapto. Mas nas delegacias ninguém acreditou. Um peru, diziam, como é possível que um peru tenha raptado sua filha. Os perus ficam nas gaiolas. Aliás a filha era maior de idade e não havia nada a fazer.

Mas as trapaças do peru foram descobertas assim mesmo. Descobriu-se que era casado, com filhos. Descobriu-se ainda que não era nem nobre nem rico, mas apenas um simples garçon expulso de vários lugares por furto. Curcio exultava, embora cheio de bílis. A mulher só chorava e chamava a filha.

Tudo acabou com o costumeiro pedido de resgate; e Curcio teve que desembolsar muitos daqueles "belos tostões" ganhos com tanto sacrifício para ter de volta em casa a filha desonrada. Isso aconteceu em Dezembro. No dia de Natal, a mulher telefonou para Curcio pedindo que não demorasse a voltar para casa já que havia peru; para eliminar qualquer equívoco, acrescentou que se tratava de uma pessoa muito séria que demonstrava uma visível inclinação por Roseta. Não era, enfim, um peru como aquele do ano passado, quanto a isso podia confiar. "Eis como são as mulheres", pensou Curcio. Mas desta vez ele jurou que abriria bem os olhos, e não se deixaria enganar pelas falsas aparências e pelas palavras vazias de nenhum peru, fosse ele aristocrático ou plebeu.

Alberto Moravia

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...

JIMI HENDRIX - «C # Blues»

Poet'anarquista

Jimi Hendrix
Guitarrista e Compositor Norte-Americano

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

OUTROS CONTOS

«Abajurgato», conto poético por Manel d' Sousa.

«Abajurgato»
Foto: Conceição Roque

1121- «ABAJURGATO»

Sou o gato Molas
Com faróis acesos,
Não fiquem surpresos…
Sou eu?... ora bolas!!
Faço umas graçolas
De vez em quando,
Sou eu quem mando
Acender a luz…
Nas órbitas reluz
Se estou posando.

Manel d’ Sousa

SÁTIRA...

Tudo sob Controle
Sátira...

«TUDO SOB CONTROLE»

- Meu primeiro… não retrocede?
É deveras muito cruel
Essa mudança a granel,
Da malta do Infarmed…
O meu primeiro não cede?
- Achas mesmo que eu fazia
Tamanha heresia?...
Tenho um plano certeiro!
- Qual plano, meu primeiro?
- Que se cosam noite e dia!!

POETA

SÁTIRA...

«Um-Dó-Li-Tá»
Sátira...

«UM-DÓ-LI-TÁ»

Um-dó-li… tou perdido
Caras d’ amendoá…
Um segredo colorido,
Quem está livre, preso está…?
Porra!... assim não dá!!
Um-dó-li… tou confundido,
Ando meio esquecido
De há uns tempos pra cá…
Vou dizer outra vez já:
Um-dó-li… tou cosido!!!

POETA

OUTROS CONTOS

«Buquê», conto poético por Manel d' Sousa.

«Buquê»
Buquê de Rosas e Astromélias

1120- «BUQUÊ»

Eis a rosa vermelha
Do amor e perfeição…
Também desejo ou paixão,
Nenhuma se assemelha!
A astromélia faz parelha
Partilhando sua amizade,
Símbolo de prosperidade,
Devoção e fortuna…
Nesta hora oportuna,
Buquê lindo de verdade!

Manel d' Sousa

terça-feira, 21 de novembro de 2017

SÁTIRA...

O Peditório
Sátira...

«O PEDITÓRIO»

Saúde com São Roque,
Santo António dá pão…
Esta rica conjugação,
Boa pedra de toque.
Tempo seco a reboque...
São Pedro não me ouve,
Lá na horta a couve
Não se vai aguentar...
A água começa a faltar,
Chuva?... nunca mais houve!

POETA

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

OUTROS CONTOS

«Como se à Noite o Mar...», conto poético por Adalberto Alves.

«Como se à Noite o Mar...»
A Noite Chega/ Anna Wainright

1119- «COMO SE À NOITE O MAR…»

numa estranha rota iluminada
deixasse livre o sonho esvoaçar:
os rostos que se foram, em parada,
em silêncio nos vêm visitar.

sob chuva distante e torturada
que na nossa tristeza deixa os sais,
rostos amados na sua desfilada,
vão-nos dizendo devagar: jamais!

como se à noite o mar…

me forçasse a perguntar, oh mágoa,
nesta fria margem de ilusão
porque correm os dias como água,
se não passam nem nunca passarão?

silente carícia de uma ignota mão
que marcas nas faces o signo da lua
abre-me a alma, fecha-me a razão
dá-me aquela Presença que é só Tua.

Adalberto Alves 

domingo, 12 de novembro de 2017

SÁTIRA...

Panteão Party
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Sátira...

«PANTEÃO PARTY»

Jantar que me palpite
Só no Panteão Nacional,
Com ementa especial
Da Web Summit…
Pitada de dinamite
E arrebenta a bomba,
O Panteão quase tomba
Mas consegue resistir…
Com os mortos a fugir,
A festa foi d’arromba!

POETA

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

SÁTIRA...

Nada a Declarar
Sátira...

«NADA A DECLARAR»

- Segundo a aritmética…
Os crimes de agressão,
Injúria, ameaça e difamação...
Mais violência doméstica,
Dão Sarilho de cosmética!
Quatro anos e meio de prisão
Com pena em suspensão…
O que pensa desta métrica
Sem qualquer estética?
- O Salmoura responde, eu não!

POETA

terça-feira, 31 de outubro de 2017

SÁTIRA...

Preliminares
Sátira...

«PRELIMINARES»

 Jogo de preliminares
Da dupla d'artistas…
Não preciso ver pistas,
Querem mudar d’ares!...
Mas só nos dias ímpares
Se prestam à mangação,
Nos pares nunca estão
Totalmente receptivos…
Entre mortos e vivos,
Qual laranja cai ao chão?

POETA

OUTROS CONTOS

«Quando Eu Morrer», conto poético por Manel d´Sousa.

Décimas com motes do poema “Fim” de Mário de Sá-Carneiro, composto por duas quadras de rima interpolada ou intercalada. Para a construção das décimas, troca do terceiro e quarto versos de ambas as quadras para rima cruzada ou alternada.

O poema tal qual escreveu o poeta, diz assim:

FIM

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro. 

Mário de Sá Carneiro
«Quando Eu Morrer»
O Circo/ Marc Chagall

Motes de rima cruzada ou alternada para construção das décimas:

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes…
Chamem palhaços e acrobatas,  
Façam estalar no ar chicotes! 

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
Eu quero por força ir de burro, 
A um morto nada se recusa.

«Quando Eu Morrer»
Fernando Pessoa encontra D. Sebastião 
“em caixão sobre um burro ajaezado à andaluza”
Júlio Pomar

1118- «QUANDO EU MORRER»

Vai o enterro a passar…
Quem será que morreu?
Sei que não fui eu,
Ainda estou a respirar.
Ouve-se gente chorar…
Parecem lágrimas sensatas,
Também alguns vira-latas
Uivando no cortejo…
Digo meu último desejo:
Quando eu morrer batam em latas!

Manda embora a tristeza
Quando chegar minha vez…
Creio que às duas por três,
A alegria vem de certeza.
Não preciso de mais fineza…
Bastam-me estes motes,
Para que a dor suportes
O que peço, deves fazer…
Quando eu morrer
Rompam aos saltos e aos pinotes!

Se o Circo vier à cidade
No dia da minha morte…
Considero-me com sorte,
Haverá festa de verdade!
Quero cá deixar saudade
E esquecer as zaragatas,
Se tu ainda bem me tratas
Não permitas o desterro…
No dia do meu enterro
Chamem palhaços e acrobatas!

Antes de baixar à cova
Ouve bem o que eu digo,
Não te esqueças amigo
Que a amizade se prova.
Atende esta prece nova…
Por favor, não a boicotes,
Tu não me conotes
Com um morto qualquer…
Então, se Deus quiser,
Façam estalar no ar chicotes!

Leva-me ao cemitério
De forma estapafúrdia…
Que haja muita balburdia!,
Não leves a morte a sério.
Fico neste eremitério
Onde não soa sussurro,
Se me cheirar a esturro
Depressa me vou embora…
Peço a todos nessa hora,
Que o meu caixão vá sobre um burro.

O animal bem composto
Em traje de cerimónia…
Sem qualquer parcimónia,
Não me causes desgosto!
Quero tudo a meu gosto
Quando à terra me conduza,
Que mal ninguém deduza
Por eu ter esta vontade…
Ir de burro, de verdade,
Ajaezado à andaluza!

Pra que tudo aconteça
E se cumpra o funeral,
Tratem bem do animal
Das patas até à cabeça.
Ninguém pois impeça
Ou me julgue casmurro,
Se o burro der um zurro
Tanto melhor pra mim…
Quando chegar o meu fim,
Eu quero por força ir de burro!

Tenho fé não ser esquecido
Quando me levarem morto…
De burro chegar a bom porto,
Ver o meu desejo cumprido.
Entende pois este pedido
Sem haver qualquer escusa,
Assim o morto não te acusa
Do que disseste ser capaz…
Se quiseres ficar em paz,
A um morto nada se recusa!

Manel d’ Sousa

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

OUTROS CONTOS

«Quando Eu Morrer», conto poético por Manel d' Sousa.

«Quando Eu Morrer»
O Circo/ Marc Chagall

Quadra da Mário Sá-Carneiro do poema “Fim” composto de 2 quadras de rima interpolada ou intercalada. Para a construção das décimas, alterei a primeira quadra para rima cruzada ou alternada.

A quadra tal qual escreveu o poeta, diz assim:

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Quadra com a rima cruzada ou alternada para construção das décimas:

1117- «QUANDO EU MORRER»

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes…
Chamem palhaços e acrobatas, 
Façam estalar no ar chicotes!

Vai o enterro a passar…
Quem será que morreu?
Sei que não fui eu,
Ainda estou a respirar.
Ouve-se gente chorar…
Parecem lágrimas sensatas,
Também alguns vira-latas
Uivando no cortejo…
Digo meu último desejo:
Quando eu morrer batam em latas!

Manda embora a tristeza
Quando chegar minha vez…
Creio que às duas por três,
A alegria vem de certeza.
Não preciso de mais fineza…
Bastam-me estes motes,
Para que a dor suportes
O que peço, deves fazer…
Quando eu morrer
Rompam aos saltos e aos pinotes!

Se o Circo vier à cidade
No dia da minha morte…
Considero-me com sorte,
Haverá festa de verdade!
Quero cá deixar saudade
E esquecer as zaragatas,
Se tu ainda bem me tratas
Não permitas o desterro…
No dia do meu enterro
Chamem palhaços e acrobatas!

Antes de baixar à cova
Ouve bem o que eu digo,
Não te esqueças amigo
Que a amizade se prova.
Atende esta prece nova…
Por favor, não a boicotes,
Tu não me conotes
Com um morto qualquer…
Então, se Deus quiser,
Façam estalar no ar chicotes!

Manel d’ Sousa

SÁTIRA...

As Consequências
Sátira...

«AS CONSEQUÊNCIAS»

Andas a assediar a direita
E esqueces-te de mim…
Não gosto disso assim,
A esquerda não te rejeita.
No que a nós respeita…
Ponderadas as diligências,
Digo que as consequências
São um caso muito sério…
O castigo pró adultério
É a morte sem reticências.

POETA

domingo, 29 de outubro de 2017

OUTROS CONTOS

«Psicologia de Um Falhado», por Manel d' Sousa.

«Psicologia de Um Falhado»
Pintura de Paolo Troilo

1116- «PSICOLOGIA DE UM FALHADO»

Tu, filho de um átomo que te pariu,
Coisa insignificante, mas complexa…
Trazes a alma interrogando perplexa
Se alguma vez esse momento existiu.

Foi nas trevas obscuras da malvadez
Que surgiste, em negra noite escura…
Filho bastardo da pobre escravatura,
Corre-te na veia imunda a insensatez.

Germe da ignorância, só tu acreditas
Nas palavras desonestas que vomitas…
Mentes a ti mesmo compulsivamente!

Tens a influência dos vermes parasitas
Que se alimentam da tua carne doente,
E crês que a mentira dura eternamente.

Manel d’ Sousa

sábado, 28 de outubro de 2017

SÁTIRA...

A Novela Casillas
Sátira...

«A NOVELA CASILLAS»

Me voy del O’Porto…
O será Puerto?
Hala Madrid!?...
Qué bien se gana aquí,
Todavía no estoy muerto!

ATEOP

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

OUTROS CONTOS

«A Morte Perderá o seu Domínio», conto poético por Dylan Thomas.

«A Morte Perderá o seu Domínio»
Poema de Dylan Thomas

1115- «A MORTE PERDERÁ O SEU DOMÍNIO»

E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corda em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.

Dylan Thomas

SÁTIRA...

Caso Sério
Sátira...

«CASO SÉRIO»

- Separação quer-se segura…
Se pretendem o divórcio,
Pensem bem no negócio
Antes de fazer má figura…
O mal, nem sempre dura!
- Acabou de vez o mistério!...
Deu-se entre nós adultério,
Não sei se chorar, se rir…
- Melhor continuar a fingir
Que o caso é muito sério!!

POETA

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

OUTROS CONTOS

«Afundanço», conto poético por Manel d' Sousa.

«Afundanço»
Conto Poético

Mote

A vida é filha da puta,
A puta, é filha da vida…
Nunca vi tanto filho da puta,
Na puta da minha vida!

Bocage

1114- «AFUNDANÇO»

Até um morto desperta
Ao desabafo de Bocage…
Pode parecer ultraje,
Eu vejo como alerta!
Mas que bem acerta
Esta quadra diminuta,
Uma verdade absoluta
Sem muito escrevinhar…
Como se pode constatar,
“A vida é filha da puta!”

Versar em trocadilho
Soa-me na perfeição,
Gosto de um palavrão
Quando acende rastilho.
Convosco hoje partilho
Esta ementa servida,
A palavra bem metida
Não faz mal a ninguém…
Por ouvir dizer alguém:
“A puta, é filha da vida.”

Notícia de última hora…
Nada que eu aproveite;
Verdade é como azeite,
Sabe-se sem demora.
A mentira tenta por fora
Disfarçar sua conduta,
Aparece de forma astuta
Essa maldita gangrena…
Numa nação tão pequena,
“Nunca vi tanto filho da puta.”

Ouço com lamento
O queixume do povo...
Não há nada de novo,
Avisos, mais d’um cento!
Não sei como aguento
Esta gente distraída,
A mentira repetida
Eu lhe perdi o conto…
Cheguei a este ponto,
“Na puta da minha vida!”

Manel d’ Sousa

terça-feira, 24 de outubro de 2017

SÁTIRA...

Rambo Lopes
Sátira...

«RAMBO LOPES»

O Rambo Flopes
De menina nos braços…
Vai haver estilhaços,
Ninguém segura Lopes!
Com uns retoques
Na incubadora,
Surge a metralhadora
E começa a disparar…
Acaba por acertar
Na sua progenitora.

POETA

SÁTIRA...

O Pior dos Piores
Sátira...

«O PIOR DOS PIORES»

O crime compensa…
Bato na minha mulher
As vezes que eu quiser,
A ninguém faz diferença!
Concordo com a sentença
Do meritíssimo Juiz,
Faço o que ele me diz
Invocando a Sagrada Escritura…
Acabo com a cavalgadura,
Sou agressor de raiz!

POETA